Sergipe

15/12/2015 às 18h23

Especialista alerta sobre consequências do aumento no número de casos de microcefalia em Sergipe

Redação Portal A8

Nesta terça-feira (15) mais dois casos de crianças que nasceram com microcefalia foram confirmados em Sergipe. Os bebês nasceram na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL) em Aracaju no último domingo (13). Com esta confirmação, sobe para 120 casos de microcefalia no Estado. Por conta desse aumento, no início do mês de dezembro, Sergipe declarou Situação de Emergência em Saúde Pública.

O neurocirurgião pediátrico  Tiago Cavalcante, especialista em neurocirurgia pela Universidade de Rouen, na França, explicou que este aumento no número de casos em Sergipe deve gerar problemas no futuro, caso não haja uma preparação imediata para fazer o acompanhamento dessas crianças que nasceram com microcefalia.

“Está se criando uma legião de crianças com problemas neurológicos, e isso é muito grave, essas crianças demandam uma exigência do Estado, tanto de suporte fisioterápico, de terapia ocupacional, acompanhamento psicológico para a criança e para a família e de médicos especialistas. Sergipe não possui instituições que ofereçam esse suporte de forma específica, então isso faz com que o gasto seja ainda maior, e como não há um local especifico, isso pode gerar outro problema, é o atraso para chegar até a oportunidade de receber o tratamento”, falou. 

O neuropediatra explica sobre como é realizado o diagnóstico da doença. (Foto: Portal A8SE

Sobre o protocolo de atenção à saúde para microcefalia lançado nesta segunda-feira (14) pelo Ministério da Saúde em Brasília, que orienta as ações desde o pré-natal até o desenvolvimento da criança com microcefalia, o especialista reforçou que é imprescindível que o acompanhamento seja realizado desde os primeiros dias de vida da criança. “A atitude tomada pelo Ministério da Saúde é lógica, nós não temos outra alternativa a não ser garantir que o Estado dê durante três anos um tratamento mais vigoroso possível, para tentar minimizar os danos na vida dessa criança”.

O médico reforçou que é de grande importância que as famílias que possuem crianças com microcefalia não temam o preconceito. “Para as famílias é importante que entendam que não precisam esconder seus filhos, quanto mais essas crianças estiverem envolvidas, mas se poderá fazer por essas crianças, as famílias não devem temer o preconceito, pois a sociedade está abraçando essa causa. ”

O que é microcefalia?

Microcefalia é nome que se dá quando a cabeça de uma pessoa apresenta tamanho menor do que o esperado para a idade. Pode resultar de problemas ocorridos no nascimento ou no transcorrer dos dois primeiros anos de vida (problemas que impeçam o crescimento normal do sistema nervoso central), ou ainda resultar de processos intra-uterinos e ser congênita (que é quando o bebê já nasce com a cabeça pequena).

Diagnóstico

Sobre as formas de fazer o diagnóstico da doença, o especialista explicou como é realizado. “Existem duas coisas importantes quando a gente fala no diagnóstico de microcefalia, o diagnóstico de microcefalia intrauterino e o diagnóstico de microcefalia quando a criança nasce, quando o diagnóstico da criação é feito intrauterino é preciso que se procure analisar se a criança possui outra má formação que impeça essa criança de nascer de uma forma não tão traumática, quando a criança é diagnosticada com microcefalia depois que nasce também é importante descobrir o porquê dessa microcefalia”.

Já a partir do momento que é feito o diagnóstico, o neuropediatra alerta sobre a necessidade de conhecer a causa da doença. “Existem dois tipos: a microcefalia que não tem nenhuma causa estabelecida e as microcefalias que vem por alguma causa estabelecida, então o caminho é exatamente esse é procurar investigar de onde essa doença veio”.

Prevenção

No final do mês de novembro que o Ministério da Saúde confirmou a ligação entre o Zika Vírus, transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti, e a microcefalia. Sobre a prevenção, o médico reforça que ainda não há uma maneira 100 % eficiente confirmada. "A orientação que a gente dá é que não engravide, e caso engravide. se proteja o máximo possível, evite todas as situações que podem levar ao contato com o Zika Vírus, mas ainda não temos informações que possam dá 100% de certeza, pois é algo muito novo".