Sergipe

02/12/2015 às 13h24

Saúde de Aracaju decreta situação de emergência devido à microcefalia

PMA

A Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal de Saúde, decreta situação excepcional de emergência em Saúde Pública em Aracaju, devido ao aumento dos casos de microcefalia no município. O anúncio foi feito na manhã desta quarta-feira, 02, pelo secretário de Saúde, Luciano Paz, em coletiva de imprensa no Centro de Especialidades Médicas (CEMAR).

O secretário, Luciano Paz, destacou durante a coletiva que em relação a dengue, Zika ou Chikungunya, Aracaju está dentro dos padrões adotados pelo Ministério da Saúde. "O que nos preocupa é a incidência de casos de microcefalia, por isso o prefeito João Alves decretou essa situação de emergência para que a gente possa ter agilidade no trabalho de prevenção dos casos das doenças, e o acompanhamento também daqueles casos já identificados em que nós vamos estar trabalhando de forma constante a partir de agora", destaca Luciano.

"Com o decreto nós passamos a habilitar o recebimento de recurso, a gente conta com isso por parte do Ministério da Saúde, mas ele também facilita algumas ações nossa. Por exemplo, ele agiliza a compra de equipamentos e materiais, a contratação de mão de obra, nós podemos contratar clínicas para fazer exames, podemos contratar profissionais de saúde, mais agentes se precisar. E ela envolve outras secretarias também, além de possibilitar que a gente possa ter prioridade no repasse de recursos internos, dentro da própria secretaria da fazenda, passe a priorizar o repasse de recursos para essas ações que são direcionadas tanto a prevenção quanto ao acompanhamento", explica o secretário.

Luciano enfatiza que o plano estratégico possui três pontos e inicia assim que o caso é identificado, quando as equipes programam visitas a família da gestante. "O nosso plano estratégico prevê três pontos: a prevenção, que é a atuação dos agentes nas ruas e a conscientização da população; o acompanhamento das gestantes, é bom destacar que a identificação só pode ser feita a partir do sexto mês de gestação, então não adianta a gestante querer correr para fazer o exame logo que identifica a gravidez e o terceiro ponto é o acompanhamento da criança, que mais do que ninguém é quem vai ter a conseqüência realmente da microcefalia", conclui Luciano Paz.  

A coordenadora do Programa de Controle da Dengue, Taíse Cavalcante, diz que os trabalhos de prevenção serão intensificados. "Nesse momento com a confirmação da microcefalia através de gestantes que tiveram Zika no momento da sua gestação, estamos em um momento de maior intensificação, de maior orientação a comunidade. Nós estamos vendo agora as sequelas inevitáveis e irreversíveis para o resto da vida, que é o caso da microcefalia, então precisamos redobrar todo cuidado. Teremos agora a junção dos agentes comunitários nas ações de orientação e eliminação de foco junto aos agentes de endemias no controle do Aedes aegypti, teremos a intensificação aos sábados com aumento no número de agentes trabalhando", disse Taíse.

"A aplicação do fumacê costal será diariamente nos casos que são notificados como suspeitos de qualquer de uma das três doenças e toda a questão de educação em saúde nas escolas com profissionais de saúde. Temos também neste momento a aplicação de notificação de infração. Então o agente quando encontrar foco naquela residência ele irá notificar o morador e esse morador terá um prazo de dez dias para resolver o problema. Se no retorno encontrarmos novamente o foco, será aberto um processo administrativo para aplicação de multas que iniciam com 100 reais e podem chegar a mil reais", conclui a coordenadora.

O coordenador da Rede de Atenção Primária, Murilo Oliveira, conta que os trabalhos serão intensificados no pré-natal das gestantes. "A gente está intensificando a busca dessas gestantes que faltaram à consulta, para que elas possam fazer esse acompanhamento. O atendimento na unidade básica é feito em parceria do médico e enfermeira, as consultas são intercaladas. Mas também tem as referências de ginecologia e obstetrícia na atenção básica e o ambulatório de alto risco que fica na rede especializada no Cemar do Siqueira Campos. Para a identificação de microcefalia a idade preferencial para fazer esse exame é após a vigésima quarta semana de gestação, após esse período, estamos buscando todas as gestantes para garantir essa ultrassonografia", enfatiza Murilo.

Já para as crianças que nascerem com a microcefalia, a Rede Especializada de Saúde garante todos os cuidados. "Os recém-nascidos que nascem com a microcefalia terão atendimento garantido. Primeiramente por um neuropediatra que a rede especializada do Cemar já está disponibilizando, garantindo essa primeira consulta, e o profissional fará os encaminhamentos necessários, porque os casos podem ser diferentes. A primeira consulta, atendimento e acompanhamento são garantidos pela rede especializada para as crianças que nascerem com o caso", explica o coordenador da Rede de Atenção Especializada, José Soares.

 


Fonte: PMA