Sergipe

27/11/2015 às 08h05

Proibição do transporte alternativo aprovado pela Câmara Municipal deixa motoristas revoltados

Redação Portal A8

A Câmara Municipal de Aracaju aprovou nesta última quinta-feira (26), o projeto de lei que proíbe o transporte alternativo/clandestino de passageiros coletivo ou individual na capital sergipana. O Projeto de Lei 203/2014, de autoria do Executivo de Aracaju, foi aprovado por sete votos favoráveis e cinco contrários.

 A medida deixou motoristas que fazem o transporte clandestino insatisfeitos. Cerca de 120 trabalhadores da cooperativa, Cooptasmar, localizada no bairro Santa Maria, se reuniram na manhã desta sexta-feira (27), para mostrar indignação com a proibição. O diretor fiscal da unidade, Francisco Correia, afirma que o transporte alternativo é o único meio que eles têm para sobreviver e lamenta a decisão da Câmara. “Nós não temos outra renda para colocar pão dentro de casa. O país está em crise, procurar por um emprego está difícil, principalmente na idade que a gente está. São pais de família que precisam trabalhar. O prefeito não está cumprindo com a promessa de campanha. A história era que ele ia nos deixar em paz, mas não é o que está acontecendo”, diz.

 Os motoristas clandestinos também reclamam do alto valor da multa para resgatar os veículos apreendidos e da forma de abordagem da fiscalização. “Da primeira vez eu paguei R$ 479,00 para poder tirar o carro. Da segunda vez, a multa dobra. A pessoa já está sem trabalhar com o carro preso ainda tem que se virar para encontrar dinheiro e pagar a multa. Outra cosia é a forma agressiva que a gente é abordado. Desta última vez que pegaram o meu carro, eles me fecharam, eu quase batia o carro, e eles cismaram que a pessoa que estava comigo era um passageiro, mas na verdade, era a minha sogra. Ela ainda chegou a mostrar os documentos, mas não teve jeito. Eles foram agressivos e levaram o carro”, conta Francisco.

Valmir Tomele trabalha há 15 anos com o transporte alternativo no Santa Maria e destaca que a população precisa ter o direito de escolha. “O pessoal da comunidade liga e a gente vai levar e vai buscar. Nos colocamos a disposição de todo o povo do Santa Maria. O povo também tem direito de opção, tem direito de escolher como quer se transportar. Eles têm que ouvir o que o povo do Santa Maria quer, porque eu tenho certeza que eles aprovam o nosso serviço e são a favor da gente”, conclui.