Sergipe

19/10/2015 às 09h42

"Não se tratou de assalto, foram com o intuito de matar", diz irmão de policial morto a tiros

Redação Portal A8

Valdemir dos Passos, irmão do policial assassinado/ Foto: Portal A8SE
O subtenente Valdemir dos Passos, irmão do sargento Filho, que foi morto a tiros na última sexta-feira (16) em frente a uma agência bancária, concedeu entrevista na manhã desta segunda-feira (19) para o Portal A8SE e se mostrou muito abalado com o assassinato do ente querido.


Valdemir é um dos três irmãos policiais da família. Com a morte do sargento Filho, o trio agora passou a ser dupla. “Eu tenho 27 anos de profissão e meu irmão que morreu ia fazer 20 anos de trabalho. Éramos três, agora somos dois. Nós sabemos do risco da profissão, por isso pedimos mais apoio da sociedade, para que as pessoas compreendam os nossos esforços para defender a sociedade. O nosso intuito, agora, é que esses bandidos que fizeram essa crueldade sejam capturados, julgados e condenados”, afirma.


O irmão da vítima garante que o sargento não reagiu e que o crime foi arquitetado. “Tudo leva a crê que não era só um assalto. A intenção era matar o policial, no caso, o meu irmão. Ele não reagiu, a pistola estava na cintura dele. Se ele quisesse reagir ele estava com a arma em punho, pronto para o combate, mas não estava. Ele estava de corpo aberto e com isso dispararam contra a ele”, conta.


Emocionado, Valdemir lembra da história do irmão, que segundo ele, era querido por todos. “É muito triste que isso tenha acontecido logo com ele. Uma pessoa muito querida, já trabalhou no interior e na capital e todos gostavam dele. Não era só um bom policial, era um ser humano de bem. Não é porque ele morreu que eu vou dizer que era santo. Meu irmão não era santo, mas era uma pessoa que se doava para os familiares e amigos. Todo mundo achava ele fantástico, ele fazia boas ações, só sabia ver o melhor nas pessoas”, relata.


Riscos da profissão


O subtenente está assustado com a violência contra policiais, mas diz não ter medo em continuar atuando na profissão. “A nossa profissão é muito vulnerável, de risco, e ultimamente, ela vem sendo atacada diretamente. Sempre foi atacada, mas, hoje em dia, está mais direcionada. Eu só tenho a lamentar toda essa violência, mas não estou com medo, pelo contrário, isso só me deixou mais fortalecido”, expõe.


Questionado sobre a ousadia dos criminosos diante dos policiais, Valdemir é enfático na resposta. “Talvez eles ainda tenham medo da polícia, mas respeito eles não têm mais, não”, opina. Ele ainda completa ressaltando “Essa ousadia dos bandidos é ruim para polícia e pior ainda para sociedade. Os policiais são seres humanos como qualquer outro, não somos super-heróis”.


Diante do risco que os policiais sofrem no trabalho cotidiano, Valdemir pede providências. “Deve haver um trabalho sério, em que a política de um modo geral tem que averiguar as necessidades do Estado, da sociedade e priorizar a segurança pública. Realizar um trabalho psicológico com os policiais, disponibilizar equipamentos de proteção individual, e aos poucos, melhorar essa situação”, conclui.