Brasil

27/07/2016 às 15h24

Vacina contra a dengue deve começar a ser vendida em todo o Brasil

R7

A vacina contra a dengue deverá começar a ser vendida na próxima semana em todo o País, de acordo com a farmacêutica Sanofi Pasteur. O imunizante da Sanofi Pasteur, chamada de Dengvaxia, é a única com registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) até o momento, e deve ser tomada em três doses a cada seis meses.

A Anvisa divulgou nesta semana que a vacina deverá custar entre R$ 132,76 e R$ 138,53. Porém, esse é o valor de compra diretamente na farmacêutica. De acordo com infectologista José Geraldo Ribeiro, o valor nas clínicas médicas deverá chegar a R$ 250 por dose, devido aos custos com aplicação e estoque.

Segundo a Sanofi Pasteur, a vacina da fabricante francesa tem 65,6% de eficácia global contra os quatro sorotipos da doença. Estudos mostraram que houve 93% de redução dos casos graves da doença, 81% de hospitalização.

O imunizante é recomendado para países endêmicos em população entre nove e 45 anos de idade — de acordo com o especialista, essas foram as idades mais afetadas pela dengue nos últimos anos. 

Paraná vai distribuir doses

 

O Estado do Paraná fará a primeira campanha de vacinação contra a dengue a partir de 13 de agosto em 30 cidades, que seguirá até dia 31 do mesmo mês. O Paraná será o primeiro local das Américas a fazer uma campanha pública de vacinação contra a dengue, segundo o governo do Estado.

 

Segundo Ribeiro, o Estado vai servir como base para o Ministério da Saúde: se a vacinação, na prática, for eficaz à população, há grandes chances de o SUS (Sistema Único de Saúde) aderir à imunização. No entanto, para o especialista, a Sanofi não consegue suprir a demanda de toda a população brasileira, uma vez que consegue produzir 100 milhões de doses anualmente.

— Essa quantidade conseguiria imunizar apenas 30 milhões de pessoas por ano. Por isso, precisamos torcer para que outros estudos como o do Instituto Butantan, que já se encaminha para a 3ª fase da vacina, sejam aprovados. Se tanto esse como outros um pouco mais atrasados forem aprovados, em cerca de dez anos conseguiremos colocar a vacina contra a dengue no calendário de vacinação do SUS.

Para a primeira fase da campanha, serão gastos R$ 50 milhões para a compra de 500 mil doses da vacina, de acordo com o governo estadual. A previsão é de que a segunda dose seja aplicada em fevereiro e a terceira em agosto.

Dengue

A infectologista Rosana Richtmann alegou que a dengue é uma necessidade médica não atendida, uma vez que não tem tratamento e nem formas eficazes de prevenção.

— A nossa única forma de prevenir a doença é combatendo o mosquito transmissor, Aedes aegypti. No entanto, sabemos que essa medida não tem sido potencialmente eficaz, afinal o número de casos tem aumentado a cada ano. A vacina é uma medida preventiva eficaz e, juntamente com o combate ao mosquito, pode ser essencial para a redução no número de casos de dengue no Brasil. 

Rosana explicou, ainda, que quem já teve dengue não só pode como deve tomar a vacina, uma vez que a efetividade aumenta de 60% para 80% para essas pessoas. 

— A dengue pode ter quatro tipos, então se a pessoa foi infectada com um deles, ainda pode ser infectada com os outros três. Quando isso acontece, normalmente a doença se manifesta em proporções mais intensas, fazendo com que o quadro do paciente seja muito grave. Por isso, é essencial que a vacina seja tomada inclusive por quem já teve dengue, porque além de a eficácia ser superior a 80% nesses casos, as chances de a doença se manifestar novamente existem. 

Cerca de 390 milhões de pessoas são infectadas pelo vírus da dengue anualmente em todo o mundo, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial de Saúde). Na América Latina há cerca de 13 milhões de infecções ocorridas no mundo; a metade das quais no Brasil e no México. O Brasil foi o maior número de casos notificados no ano passado. Neste ano, já há registro de mais de 450 mil casos da doença em todo o País.


Fonte: R7