Brasil

12/04/2016 às 08h59

Bancos devem seguir Caixa e aumentar juros imobiliários

R7

A Caixa Econômica Federal aumentou, na semana passada, as taxas de juros do crédito imobiliário com recursos da poupança. Responsável por dois em cada três contratos de financiamento imobiliário do País (67,2% do mercado), a Caixa fechou R$ 91,1 bilhões em acordos para financiar a casa própria no ano passado.

Desse total, R$ 55,5 bilhões se referem a recursos do FGTS e R$ 34,8 bilhões vêm do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo).

Segundo a Proteste Associação de Consumidores, desde o ano passado, foram quatro aumentos de juros pela Caixa. A advogada Ana Gabriela Malheiros de Oliveira, do Vigna Advogados Associados, prevê que a decisão da Caixa deve refletir em outras instituições, já que “a Caixa puxa o mercado de financiamento imobiliário”.

O diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel José Ribeiro de Oliveira, afirma que o aumento dos juros nos outros bancos é inevitável.

— Com o aumento da inadimplência, com o desemprego, aumenta o risco do crédito e, com isso, os bancos aumentam a taxa de juros.

Ana Gabriela explica ainda que mudança da Caixa deve afetar a decisão de quem estava pensando em comprar a casa própria. A advogada lembra que, no mês passado, a Caixa anunciou uma séria de facilidades para o setor imobiliário. Menos de um ano depois de ter reduzido o teto do financiamento de imóveis usados para 50%, o banco resolveu aumentar o limite para 70%.

— Os consumidores devem avaliar a possibilidade de buscar imóveis usados, em vez dos novos. Outro ponto é simular o financiamento para projetar os custos com todos os encargos. É preciso calcular não só o preço da parcela, mas o valor efetivo tanto para o usado como para o novo.

Juros futuros

Segundo a advogada, os compradores também precisam ficar atentos ao cenário da economia, já que “o risco do crédito não parece que vai ficar menor”. Com isso, a taxa de juros não deve cair no curto prazo.

— Além disso, o consumidor deve pesquisar bastante os imóveis disponíveis no mercado, já que o preço está recuando.

Simulação

Para demonstrar os impactos da medida, o diretor da Anefac e economista Miguel de Oliveira elaborou simulações sobre os efeitos desta elevação nos respectivos financiamentos.

Um exemplo usado é o de um financiamento de R$ 300 mil, pelo SAC(Sistema de Amortização Constante) com oSFH (Sistema Financeiro da Habitação) e utilizando a taxa de balcão (para quem não é cliente da Caixa), que passou de 11,50% para 12,50%.

Antes, o consumidor pagaria 360 parcelas mensais (30 anos), sendo a primeira no valor de R$ 3.708,33 e a última no valor de R$ 841,32. Assim, os R$ 300 mil se transformariam em R$ 818.937,50.

Agora, o consumidor vai pagar 360 parcelas mensais, sendo a primeira no valor de R$ 3.958,33 e a última no valor de R$ 842,01. Com isso, os mesmos R$ 300 mil vão se transformar em R$ 864.062,50.

Haverá um aumento médio de R$ 250 na prestação e de R$ 45.125 no total do financiamento.

Outra simulação da Anefac é para um financiamento de R$ 300 mil pela tabela Price (que tem prestações fixas), também pelo SFH, e usando a taxa de balcão, que era de 9,90% e está hoje em 11,22%.

Antes, o consumidor pagaria 360 parcelas mensais de R$ 2.518,19. Nesse caso, os R$ 300 mil passam a custar R$ 906.548,40. Agora, o consumidor vai pagar 360 parcelas mensais de R$ 2.784,67. Os novos contratos vão pedir R$ 300 mil e vão pagar R$ 1.002.481,20, ao final.

Nessa simulação, haverá um aumento de R$ 266,48 na prestação e de R$ 95.932,80 no total do financiamento.


Fonte: R7